segunda-feira, novembro 16, 2009

TEDx: instância São Paulo (parte I)

Estou com dois posts no draft sobre assuntos diferentes, mas resolvi escrever um novo a respeito do evento que ocorreu Sábado passado em São Paulo p/ aproveitar enquanto o assunto ainda está fresco e minha memória ainda não se desfez das conexões que quero documentar…

TEDx


Pois bem, no começo do ano, os organizadores do TED lançaram um programa de licenciamento para pequenos grupos chamado TEDx, que tem por objetivo “replicar” em comunidades locais o formato e a proposta do evento principal, que é reunir pessoas que estão fazendo coisas diferentes/inovadoras num local e usar apresentações rápidas de 5 a 15 minutos como inspiração/incentivo para a troca de idéias.

A idéia faz todo o sentido por um lado, pois já que a intenção é espalhar idéias, delegar a mais grupos as tarefas de encontrar gente interessante e de organizar as reuniões escala melhor que apenas um evento central, anual e pago. Mas por outro lado, existe o risco de “cair em mãos erradas” vamos dizer assim, e baixar o nível e o prestígio do evento-pai, ja que não há como garantir que os grupos locais não irão simplesmente continuar fazendo as mesmas conferências de posers e gurus de sempre mas desta vez com um logo do TED endossando a palhaçada.

No geral, eu particularmente acho que vale o risco, pois na minha escala de valores um evento com palestrantes posers e gurus ainda é melhor que nada. Até porque o que vale mesmo nestas reuniões são os coffee breaks, não digo a comida ou a cerveja, mas as conversas.

TEDx SP: Processo seletivo



What the fuck! Esta foi minha reação ao ver que o critério para o convite era um processo seletivo com base num formulário do tipo feito por pessoas de RH, e não qualquer outra coisa, como ordem de chegada por exemplo. Quando digo que o formulário tem cara de teste de admissão de funcionário do Mc Donalds eu não estou exagerando. As perguntas eram: ”Se alguém fosse descrever vc, quais seriam as 3 maiores conquistas da sua vida?”, “O que vc tem a oferecer ao mundo hoje” e “O que vc acha que o Brasil tem a oferecer ao mundo?”.

Ok, vamos ver onde é que isso vai dar, pensei eu. Como é o primeiro, vale o benefício da dúvida. Fui lá e preenchi a ficha de inscrição. Não lembro as minhas respostas, mas sei que fui sincero e comecei minha resposta para o “O que vc acha que o Brasil tem a oferecer ao mundo?” com ”Além de asilo para criminosos internacionais?…”

Eu realmente acho que o Brasil, o país, não tem nada para oferecer ao mundo, acho que patriotismo é coisa de imbecis e tento manter o meu pessimismo/realismo em níveis saudáveis para não me iludir e cair nas armadilhas daqueles que prometem o “outro mundo possível”. O Brasil é só um monte de chão cheio de fronteiras arbitrárias, não existe uma identidade ou característica coletiva que possa ser oferecida ao mundo como exemplo de nada bom: o “jeitinho brasileiro”? a “lei do gerson”? o “quem não cola não sai da escola”? Enfim eu fico puto quando alguém usa exemplos individuais de pessoas esforçadas que trabalharam e conseguiram sucesso apesar de serem brasileiras como uma conquista do Brasil, ou da nossa cultura.

Muito bem, não fui aceito. Ou pelo menos, até o penúltimo dia de inscrições, quando umas 3 levas de convites ja haviam chegado por email para meio mundo, o meu, que me inscrevi logo no começo não havia chegado. Concluí (e posso muito bem estar errado quanto a isso) que minha ficha havia sido rejeitada.

Nada mais natural, meu estilo de redação é um pouco insensível e eu ingenuamente assumo que o leitor possui o que os gringos chamam de “thick-skin“ e que vai focar no conteúdo e nas ideias ao invés de se ofender com a forma que são apresentadas. Já me custou algumas potenciais amizades, mas infelizmente é a maneira mais honesta que consigo me expressar via texto.

Segunda tentativa



Como disse anteriormente, na minha escala de valores um evento que reune gente p/ coffee-breaks ainda é melhor que nada, independente dos palestrantes. E eu gosto muito de ir em eventos, acho interessante ver como as pessoas diferentes pensam e agem, gosto de ouvir sobre os projetos dos outros gosto de ouvir e também de argumentar cara-a-cara com outros seres humanos. A vida off-line é saudável.

Ou seja, eu tinha que ir, eu queria.

Fui então no último dia das inscrições e preenchi o formulário McDonalds novamente. Desta vez eu já sabia um pouco mais sobre os palestrantes e organizadores, e um pouco sobre o que eles procuravam. Consegui encaixar algumas palavras-chaves como ”meio-ambiente“, ”sustentabilidade“, “reciclagem” e “vegetariano” no texto. Joguei o jogo.

Pouco tempo depois recebi a confirmação por email, eu havia sido aceito. \o/

(continua…)

5 comentários:

ricardopoppi disse...

hahahahah. Legal! A organização deve ter ficado com medo de vc!

Eu li num outro relato sobre o TEDxSP que o público foi meio homogêneo, todos muito jovens. Confirma?

Abcs!

Dani Valentin disse...

haha. Eu parei nessa mesma pergunta: O que o Brasil tem para oferecer ao mundo. Não consegui achar uma resposta e acabei não me inscrevendo.

Fabricio disse...

@ricardopoppi meu, não confirmo nem desconfirmo, p/ mim pareceu diversificado o suficiente. Não fiquei reparando na faixa etária, vi gente mais velha que eu e gente mais jovem também… :P

Dine disse...

Entendi, pra ir no TEDx inscreva-se várias vezes, com respostas diferentes.

Fabricio disse...

Dine, sim, infelizmente :(

Ou seja um eco-prafrentex paz e amor, amante dos bichinhos e da natureza, e inscreva-se apenas uma vez.